Anas Estrelas


Que os Brâhmanes reprovariam!

Fui conhecer a tal da UEMG.
Não vou dizer nada a respeito da infraestrutura ou das instalações até que eu seja aluna de lá.
Posso, entretanto, mencionar que já fiz uma inimiga no primeiro dia: a mulher da cantina.

Eu e a Carla descemos do ônibus que parava em frente ao EPA -seu supervizinho (ou será o mais perto mais barato?)- e eu sugeri que a gente entrasse pra eu comprar alguma ocisa pra comer que fosse um pouco mais barata que os salgados de preços salgados das cantinas e lanchonetes de BH. Eu tava pensando em algo tipo um pãozinho, biscoitinho de 50 centavos ou chips vagabundo, mas qdo a gente viu aquelas melancias, cor-de-rosamente suculentas, e naquele calor infernal, não deu noutra: pegamos um pedaço pra nós duas e saímos em direção à escola.
A Carla é uma pessoa boa de andar, ela costuma ter os mesmos impulsos laricais que eu, e sempre que uma tá a fim de comer alguma coisa já olha pra cara da outra e nem precisa falar nada. Uma amizade meio engordativa, eu sei, principalmente pq por onde a gente anda todo dia tem muuuito boteco, mas enfim...
O engraçado é q a gente sempre diverge nas coisas mais bestas: Copo descartável ou virar a garrafa de uma vez? Comer antes ou depois( rsss...)? Dois amendoins de 50 ou um de 1 real? E nesse caso não podia ser diferente: ela queria que a gente pedisse pro moço do EPA partir a melandia em dois pedaços pra gente comer lá mesmo (ou andando, sei lá). Eu queria sentar na cantina da escola e pedir um prato e uma faca e comer feliz sem fazer aquela lambança de melancia (muito pior que fiapinho de manga no dente ou semente de goiaba).
OK, dessa vez eu ganhei, e fomos pra UEMG, carregando nossa melancia na sacola. Chegando lá entramos na sala de contrabaixo e a Carla me encarregou de ir na cantina pedir garfo e faca ( e eu nem imaginava pq ela não ia no lugar, já q é ela q estuda lá.) Qdo cheguei na cantina, me carreguei de toda a simpatia que pude encontrar no meu coração rabugento e pedi pra moça gordinha atrás do balcão "Olá! Será q vc poderia me emprestar um garfo e uma faca por favor? devolvo num minutinho!". De repente a moça gordinha se transformou numa gorda mal humorada antipática mal comida e com cara de bunda, que estendeu as mãos e pegou um garfo e uma faca cheios de comida e me entregou. Fiquei perplexa olhando pra cara daquela doente mental, até q ela deve ter ficado com vergonha, pegou os talheres da minha mão, abriu a torneira, deixou eles embaixo dágua por dois segundos, fechou e me devolveu. Eu nem conseguia acreditar. Ainda tinha uns pedaços de algo que devia ser um pure de batata ou(eram 5 horas da tarde) ou qq outra gororoba branca que aquela cantina deve servir durante o dia. Eu estava perplexa. OK, vai ver ela tinha passado a noite em claro arquitetando alguma forma de ter o corpo da Daniela Cicareli sem fazer exercícios antes do verão. Vai ver ela tava de piriri naquele dia, ou quem sabe com gases, vai ver uma dor de dente. Vai ver el teve algum trauma de infância com alguma menina de blusa rosa pedindo talheres emprestados e enfiando na barriga dela. Vai ver ela foi despedida por tratar todas as pessoas mal e ninguém gostar dela. vai ver ela nunca tinha conseguido ter amigos. Vai ver alguém tava doente, alguém tinha morrido na família dela. Vai ver tinha acabado de chegar da depilação e ainda por cima tava menstruada.
E eu, tomada pelo meu vasto senso de compreensão, sorri e disse um "obrigada" amarelo, com os talheres na mão. nessa hora apareceu o Bidu, um colega meu do meu lado, e no mesmo instante eu perguntei pra ele sem tirar os olhos dela e nem tirar o sorriso da cara onde é que ficava o banheiro mais próximo.
Lógico q eu fiquei dez horas lavando cada talher com detergente antes de ir pra sala e devorar a melancia em questão de segundos com a Carla. Jogamos acasca fora e eu estava decidida a não devolver os talheres pra mulher da cantina e ir ebora ou dar prum mendigo, até que, automaticamente, enquanto andava, meus dedos e minhas mãos criaram autonomia em relação ao meu sistema nervoso central e enfiaram com toda vontade o garfo e a faca no primeiro vaso de terra no corredor (as plantas não deviam ser agoadas há 30 anos). Foi completamente involuntário! Juro que estou morrendo de vergonha pela minha atitude nesse exato momento. Peguei os talheres e devolvi- não sem a mesma simpatia habitual- para a moça gordinha da cantina e fui embora do recinto o mais rápido possível.
Não quero pensar nas consequencias que esse meu gesto de extrema maturidade trouxe ao próximo usuário dos talheres, e muito menos pensar na terra ou pimenta que ela vai jogar no meu café pelos próximos 4 anos (vou ter que me acostumar a tomar suco de laranja com CUSPE HUMANO se quiser me alimentar dentro da escola daqui pra frente).
Aliás, proponho que esqueçamos agora essa história de uma vez por todas. isto nunca aconteceu.

Vida nova!!!

Vida nova...

Escrito por Carol Estrela às 21h20
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